(tinha preparado uns textos para a versão podcast do Apito na
Folha do Tejo... fica aqui uma selecção deles)
Estamos ao rubro, tal como estivemos em 2004. Estamos nos quartos de final, novamente para ultrapassar o obstáculo Inglaterra. Uma das duas teorias irá vencer: ou eles se vingam do Adamastor Ricardo e seus comparsas, ou fazemos nós a vingança da nossa mascote de eleição, o Pantera Negra (com o devido respeito!). Prefiro acreditar que é a segunda que vai vingar!
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Muito já se falou do jogo contra a Holanda e do árbitro que parecia andar a promover a bebida mais conhecida do seu país: Absolut Amarelo! Que bela forma de esse S. Valentin Ivávelho terminar a carreira!
Mas há um assunto que me chateia a sério. Na minha adolescência vibrei com ídolos como Gary Lineker (e esse ainda se mantém como exemplo máximo de cavalheirismo no futebol… sim, porque não é necessário existir uma senhora para que um homem possa ser senhor/cavalheiro), Lothar Mathaus e Marco van Basten que, para além da firmeza, da delicadeza, da postura em jogo, aliavam ainda uma carinha laroca. No domingo passado, depois do jogo Portugal-Holanda, um dos meus ídolos da adolescência caiu do pedestal: não soube ser senhor, não soube ser cavalheiro. Admito que custe ser perdedor. Mas não saber perder é pior que não conseguir ganhar. A bandeira da FIFA não foi levantada, e uma laranja ácida, amarga, provocou uma indigestão a si própria.
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Muito se falou sobre a meninice (prefiro chamar-lhe assim) de Cristiano Ronaldo.
Enfant terrible, ele! Mas esse
enfant terrible queria acima de tudo, nos jogos de preparação, preservar a sua máquina, para conseguir estar na primeira linha de combate em todos os jogos. (também me surgiu a ideia de ser golpe de cintura, para canalizar as atenções dos adversários nele, levando a que mais rapidamente os defesas contrários pudessem ficar amarelados, ou que outros elementos nacionais pudessem ficar esquecidos, mas depois pareceu-me uma «teoria da transpiração» elaborada demais)
O que é certo é que, não esquecendo cenas menos conseguidas que levaram a cartões amarelos desnecessários e mesmo a, mais tarde, expulsões, Cristiano Ronaldo foi o único, literalmente, que deu sangue, suor e lágrimas no jogo contra a Holanda (Leone, obrigada por esta deixa!).
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Penso que, a partir de agora, qualquer que seja o resultado ou em que etapa fiquemos (ou continuemos), já há direito a feriado nacional e a euforia no aeroporto na hora de receber os nossos heróis. E porque sou muito supersticiosa pedia-lhe, encarecidamente sr. Primeiro Ministro, não vá no sábado à Alemanha. Até agora não foi e temos estado sempre a ganhar! Reconsidere! A selecção e o país precisam de si onde sempre tem estado até agora (onde quer que isso seja).
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Até há pouco desconhecia que este ano, de forma exemplar, bonita e harmoniosa, havia um 13º jogador. Fala-se sempre no 12º jogador que somos todos nós. Mas desta vez o 13º está connosco e somos nós próprios, porque o 12º é, sem dúvida, Jorge Andrade. Eles serão, no próximo sábado, e nos outros dois jogos que se seguem, os nossos 12 apóstolos, e nós apostamos neles. Como uma força só!